quinta-feira, 23 de setembro de 2010

AS NOVAS CONFIGURAÇÕES FAMILIARES (continuando)

AS NOVAS CONFIGURAÇÕES FAMILIARES (continuando)

            A partir da revolução industrial, as relações familiares adquiriram novas características. As descobertas científicas e o desenvolvimento tecnológico não só permitiram o aumento da expectativa de vida, como também propiciaram o planejamento familiar, entre outros. Assim, as famílias numerosas e extensas tornam-se nucleares à medida que se deslocam para as áreas urbanas em busca de trabalho e de melhores condições de vida.
A urbanização e a industrialização no Brasil facilitam o acesso à educação, além de torná-lo necessário para as mulheres. Estas já não são mais as costureiras ou embaladeiras na linha de produção. Já podem ser advogadas, economistas, administradoras, profissionais da área de saúde...

            Na família, ao lado da questão feminina, coloca-se a autoridade paterna, masculina, que no pós-guerra entrou em franco declínio. Tiba (1996) nos mostra que neste período, houve a geração que educou seus filhos de maneira patriarcal, com uma autoridade vertical – o pai no ápice e os filhos na base, onde eles eram obrigados a cumprir o que o ápice determinava. Já esses filhos, ao se tornarem pais, acabaram caindo no extremo oposto: a permissividade.
            Donatelli (2004) retrata que essa situação do privado é progressiva.
À medida que a família avançou para outros patamares de organização no decorrer do século XX, a afetividade  foi se tornando cada vez mais presente nas relações. Em contrapartida, as conexões e vínculos de mando e autoridade se enfraqueceram sensivelmente. A coação e a força da autoridade faziam do pai, no início do século, alguém incontestável, que hoje se esvai em afetividade. Porém, somente em afetividade.

            Gomide (2004) retrata muito bem a transformação nas famílias no que diz respeito às regras e limites.
Até meados do século XX, as regras estabelecidas por nossos antepassados para a educação dos filhos eram inquestionáveis. Os pais puniam e castigavam como direito legítimo de educador. Era dever do educador corrigir, mesmo que em rigor físico, as rebeldias. Aqueles que não corrigissem suas crianças seriam questionados pela sociedade e até culpados pelas desordens por eles cometidas. A revolução de costumes dos anos 50 trouxe consigo uma série de questionamentos quanto à maneira de educar os filhos. A severidade habitual de costumes foi confrontada inicialmente através da liberdade sexual e em seguida pela flexibilidade das regras. Os novos pais, pós-revolução sexual, também se rebelaram quanto às regras rígidas de educação dos filhos. Passaram a conceder mais, repudiaram a punição física, quiseram se tornar amigos dos filhos. Passaram a utilizar o diálogo como fonte de educação.

 Assim, na primeira parte do século XX, a família gradativamente tornou-se menos autoritária, apesar de que a estrutura de poder real, que é o fundamento da vida familiar, permanecia inalterada.
            SegundoMedina (2005) entre as transformações ocorridas nas famílias temos:
1.          Controle da natalidade – a mulher pode hoje decidir se quer ter ou não filhos. Há uma aceitação social do sexo em si mesmo e não mais por reprodução;
2.          Redução do número de filhos, donde menos irmãos, tios, sobrinhos, primos;
3.          Prolongamento do tempo de vida – mais pessoas idosas com saúde e vida ativa;
4.          Alteração do papel doméstico atribuído só a mulher – ruptura do quadro tradicional provedor/dona de casa;
5.          Instabilidade do casal aceito socialmente, com facilitação da dissolução do vínculo conjugal – razão da multiplicidade e diversidade de famílias;
6.          Igualdade entre sexos;
7.          Clima de incerteza – nada é seguro, donde a exigência de processos de ajustamentos contínuos, isto é, a construção permanente de identidade de cada um que exige liberdade individual de movimentos na incerteza da construção de sua trajetória social.

 Há um crescente interesse pelos processos evolutivos que toda família atravessa no decorrer de seu ciclo vital. Os conceitos desse ciclo vital tentam desenvolver uma seqüência de etapas mais ou menos previsíveis marcadas por transições de cada momento, dando ênfase à família como sendo transmissora de pautas de estratégias ou de modelos comunicação.
Hoje, em consonância com as transformações sociais, culturais e econômicas, sobretudo no que diz respeito à entrada da mulher no mundo laboral, o que vemos são pais que dividem com elas os cuidados e afetos com os filhos. Esse fato denuncia que o lugar exagerado concedido à mãe (nas famílias nucleares) que instala uma posição de onipotência perante a criança, que se encontra em estado de dependência absoluta nos primeiros meses de vida, vem, nesse momento, sendo compartilhado com o pai, com os avós e tantos outros membros da família, assim como da comunidade.




Maria Eunice Vilela Dande Netto
        Psicóloga - CRP 27979
35 3423 6416 - Athos Clínica Médica

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