sábado, 21 de agosto de 2010

Informática com supervisão.

Segundo especialistas, crianças podem usar computador aos 3 anos de idade, com moderação
MARIA REHDER, maria.rehder@grupoestado.com.br
As mãos são pequenas, mas já manuseiam o mouse e até clicam nos diferentes links de cores e jogos que o computador oferece. O uso da tecnologia é realidade em muitas pré-escolas, onde crianças a partir de 3 anos acessam sites e interagem com plataformas digitais criadas para elas. Especialistas em tecnologia e em desenvolvimento infantil, porém, são unânimes: o uso do computador nessa faixa etária só é saudável quando feito com moderação e oferecido junto com vasto leque de atividades, como brincadeiras, movimento corporal e interação com outras crianças.

O acesso ao computador em casa também merece atenção. Os personagens mais admirados pelos pequenos, como Hello Kitty, Barbie e Turma da Mônica, já estão reproduzidos em jogos que podem ser facilmente acessados pela internet.

A empresária Maria Luiza Giudicissi Valente, mãe de João, 5 anos, conta que o menino tem tido acesso esporadicamente à internet na escola, mas que não é incentivado a usar o computador em casa. Os professores de João levam a cada quinze dias um laptop para as crianças ajudarem na produção do conteúdo do site da escola. “A prioridade é a brincadeira. Às vezes ele joga game com o pai, mas somos contra ao uso do computador nessa idade.”

A coordenadora da brinquedoteca da PUC-SP, Maria Angela Barbato Carneiro, diz que é fundamental os pais averiguarem se a escola não deixa o número de horas do uso da tecnologia ultrapassar o tempo gasto com outras atividades. É importante estimular atividades que façam as crianças perceber diferentes cheiros, sabores e movimentos. A tecnologia deve ser apenas uma entre as diferentes atividades. “O mais prudente é dar o acesso à tecnologia a partir dos 4 ou 5 anos porque aos três a questão da imagem fala muito forte o que pode criar condicionantes para a criança só ficar na frente do computador.”

Uma orientação importante é que os adultos estimulem as crianças a entender o que estão fazendo no computador. O problema do excesso da tecnologia é que em muitos casos a criança tende a apenas apertar botões para fazer uma série de repetições, o que exige boa agilidade manual, mas não lhe permite descobrir nada novo.

Maria Angela diz que a criança pequena aprende por processo imitativo. Na prática, se gosta do que está fazendo, tende a repetir inúmeras vezes até criar um hábito. “Aí que mora o perigo. Se isso não for dosado, essa criança se torna um aluno que recorta e cola e não apreende conteúdos.”

O neuropediatra da Unifesp, Mauro Muszkat, cita alguns cuidados importantes. “Essa fase é essencialmente lúdica. É preciso garantir na pré-escola mais atividades artísticas, de movimento corporal, do que atividades de instruções.” A ressalva feita pelo neuropediatra é que o computador tem de ser apenas uma das interfaces entre o educador e a criança.

De olho no conteúdo

Em uma mesma sala, alunos de 5 anos com colegas de 60. Quando a professora diz para pegarem o mouse, os pequenos imediatamente pousam a mão sobre o equipamento. Já os mais velhos, o tiraram da mesa e o seguraram. A experiência é citada pela pedagoga Ana Teresa Ralston, gerente de projetos educacionais da Microsoft, para mostrar que a tecnologia já faz parte do cotidiano dos pré-escolares.

A discussão, segundo ela, não é sobre o uso ou não da tecnologia, mas a forma e o tempo dedicados. “É preciso bom senso. Os adultos têm de explorar o recurso junto com a criança. Devem supervisionar o que é acessado”, orienta.

FIQUE DE OLHO

O site www.navegueprotegido.org traz dicas para pais e educadores sobre o acesso
à internet feito por crianças

Crianças de até seis anos têm de contar com a supervisão dos adultos enquanto utilizam
o computador para jogar ou acessar a internet

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